InícioREGIÃOPrevisão de geadas da Epagri ajuda produtores catarinenses a proteger lavouras

Previsão de geadas da Epagri ajuda produtores catarinenses a proteger lavouras

Quem planta frutas em Santa Catarina sabe que uma noite de geada pode colocar uma safra inteira a perder. Para se antecipar a esse risco, produtores contam com o Sistema Online de Previsão de Geadas da Epagri. A empresa calcula que, desde 2021, a ferramenta já tenha evitado prejuízos de R$ 84,7 milhões em perdas agrícolas.

A plataforma foi lançada em 2009 pelo Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia (Epagri/Ciram). Em 2021, ganhou a versão mais recente. Hoje, beneficia 11.124 hectares de plantações. Os dados de impacto econômico estão disponíveis nos balanços sociais da Epagri.

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Como funciona a previsão

O sistema traz a previsão de geada com antecedência de até cinco dias. Os usuários têm acesso a três mapas, com probabilidade máxima, média e mínima de geada.

A plataforma também informa a intensidade prevista do fenômeno, com base na temperatura da relva:

  • geada: menor de 0ºC;
  • geada moderada: menor que -2ºC;
  • geada forte: menor que -6ºC.

As informações são calculadas a cada 3km², o que dá mais precisão à ferramenta, já que Santa Catarina tem um relevo bastante acidentado. Para aumentar a confiabilidade, o sistema roda oito modelos distintos de previsão e disponibiliza a média, além das probabilidades mais baixas e mais altas, segundo o pesquisador Carlos Eduardo Salles de Araújo, responsável pelo desenvolvimento da tecnologia.

De acordo com a meteorologista Gilsânia de Souza Cruz, da Epagri/Ciram, o sistema chega a 90% de acerto em relação aos dois primeiros dias. Ela lembra que a previsão tem limites:

“É claro que há sempre possibilidade de não ocorrer, afinal, quando fazemos previsão estamos usando equações matemáticas com entrada de dados que dão um prognóstico”

Quem mais se beneficia

A fruticultura é a maior beneficiada, com destaque para a banana, o maracujá e as frutas de clima temperado e de caroço, como pêssego e nectarina. O objetivo do sistema, explica Carlos Eduardo, é alertar o produtor rural para a utilização de medidas de proteção aos cultivos. A formação de gelo na superfície do solo e das plantas pode dizimar lavouras, dependendo do tipo de plantio e do seu estágio.

Em Videira, no Meio Oeste catarinense, o fruticultor José Antônio Mariani acompanha a previsão nos dias de frio intenso para cuidar do pomar de pêssego, nectarina e ameixa. Ele já viveu o prejuízo:

“Teve um ano que chegamos a perder todas as frutas, não sobrou nada”

Mariani conta que amargou perdas quando ainda não tinha um sistema de controle de geada por aspersão de água. Hoje, quando há previsão, ele já começa a deixar tudo pronto para entrar em ação se a probabilidade se confirmar.

Medidas de proteção

Com o alerta em mãos, o produtor pode adotar uma série de medidas de combate à geada:

  • cobertura de plantas com lona ou palha;
  • ensacamento de frutas, como cachos de bananeiras;
  • antecipação de colheita, comum nas plantações de banana;
  • uso de sistemas de aspersão de água, que protege frutas como pêssego e maçã da incidência de temperaturas negativas diretamente no tecido da fruta. É uma técnica bastante difundida.

Carlos Eduardo destaca que a previsão com antecipação de cinco dias é fundamental para o produtor se preparar. Ele cita o exemplo do bananicultor, que precisa contratar mão de obra para ensacar os cachos antes da geada. Para o maracujá, o pesquisador explica:

“No caso de um fruticultor de maracujá, ele pode adiar o transplante das mudas do viveiro para o campo se souber que vai dar geada. Mas se ele tiver feito o plantio recentemente, pode deitar a muda e cobrir com terra para a geada não queimar”

As medidas de combate envolvem despesas relevantes, como mão de obra e insumos como água, diesel e energia elétrica. Uma previsão feita a partir de modelos mais precisos ajuda os produtores a tomarem decisões mais acertadas, sem custos desnecessários.

Grupo de WhatsApp reforça o alerta

Mariani faz parte do grupo de WhatsApp “Controle de Geadas”, de Videira, criado pelo extensionista rural Alceu Vicente durante a pandemia de Covid19. Hoje, são 115 integrantes de olho nas probabilidades de formação de geada.

No grupo, os extensionistas compartilham mapas do sistema de previsão da Epagri. Segundo Alceu, boa parte dos produtores já acompanha as previsões diretamente na plataforma da empresa, e o grupo serve para reforçar o alerta e trocar informações para monitoramento. Muitos fruticultores enviam fotos dos termômetros que mantêm nos pomares. Para Alceu, a previsão é só o ponto de partida, mas de suma importância para o produtor planejar as ações de combate.

Ele brinca que, apesar do nome do grupo, ninguém controla o fenômeno: a geada vai se formar de qualquer jeito. A questão é o que se pode fazer com o alerta recebido, que é adotar técnicas para evitar danos.

A evolução das tecnologias de previsão e de combate à geada também permite que os produtores optem por cultivares precoces de frutas como pêssego. Em geral, essas variedades se destacam pela alta produtividade, mas, como produzem mais cedo, os riscos são maiores, porque a geada pode afetar flores e frutos em formação. Alceu afirma:

“Com o sistema de previsão e tecnologias de combate à geada, o produtor pode se arriscar mais e ter ganhos financeiros maiores”

Novo visual a caminho

A Epagri está desenvolvendo um novo visual para a plataforma, para ampliar e facilitar o acesso. O objetivo é melhorar a navegação, de modo que qualquer pessoa consiga mexer e entender as informações disponíveis em poucos cliques. A nova versão também terá mais interatividade e será otimizada para uso em dispositivos móveis, especialmente no celular.

A meta é que ela seja lançada até o início de 2027 para estar disponível no próximo inverno.

Com informações do Portal Visse.

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