O trabalho de Santa Catarina para proteger a natureza dos impactos do javali (Sus scrofa) foi apresentado a especialistas de todo o país. Na última semana, o Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) participou, no Rio de Janeiro, da mesa-redonda “Controle de javali em unidades de conservação: estratégias de manejo, mitigação de impactos e desafios”. O encontro fez parte da programação do 2° Simpósio Brasileiro sobre Espécies Exóticas Invasoras.
O IMA foi representado pelo biólogo e analista técnico de Gestão Ambiental Marcos Eugênio Maes. Ele apresentou o modelo de gestão adotado para o manejo da espécie nas unidades de conservação estaduais catarinenses.
Nove anos de experiência
A apresentação reuniu a experiência acumulada ao longo de nove anos de manejo. Ela mostra como o IMA estrutura estratégias para enfrentar os impactos dessa espécie exótica invasora, com base em critérios técnicos e científicos, respeito à legislação e medidas voltadas à redução do sofrimento animal.
O trabalho está ligado ao Programa Estadual de Espécies Exóticas Invasoras de Santa Catarina (PEEEI), coordenado pelo IMA e formalizado pela Portaria IMA nº 116/2016. Também se relaciona às atividades de manejo das unidades de conservação, com foco na prevenção e no manejo de espécies que podem comprometer o equilíbrio dos ecossistemas naturais.
O presidente do IMA, Josevan Carmo da Cruz Júnior, destacou a importância da troca de experiências:
“Compartilhar a experiência de Santa Catarina e conhecer experiências que estão ocorrendo em outros locais do país é uma oportunidade de aprimorar as estratégias de manejo do javali no estado. A proteção da biodiversidade exige planejamento, monitoramento e atuação contínua, com decisões fundamentadas em critérios científicos e na realidade de cada unidade de conservação”
Também participaram da mesa-redonda técnicos da SEMA do Rio Grande do Sul, do Instituto Água e Terra do Paraná, do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade e da empresa de consultoria e manejo Mão na Mata.
Como funciona o modelo
O modelo apresentado contempla:
- o uso de armadilhas do tipo curral;
- a contratação de equipes especializadas para o controle;
- o apoio à pesquisa sanitária;
- a avaliação da eficácia das ações;
- a capacitação da população do entorno das unidades de conservação.
As armadilhas permitem capturar vários animais ao mesmo tempo e possibilitam o planejamento e o acompanhamento dos responsáveis técnicos em todas as etapas do controle. A apresentação também destacou a importância de profissionais especializados, considerando o esforço de campo necessário para o monitoramento das armadilhas, a captura e a destinação dos animais.
Para Marcos Eugênio Maes, o debate é um caminho para soluções melhores:
“O manejo do javali em unidades de conservação é um desafio que exige constante aprimoramento, buscando aliar a efetividade do controle populacional, a redução dos impactos ambientais, o bem-estar animal e a vigilância sanitária. Compartilhar essa experiência foi uma oportunidade de contribuir para o debate e avançar na construção de soluções cada vez mais eficientes para a proteção da biodiversidade”
Vigilância sanitária
Outro componente importante é a vigilância sanitária. Em Santa Catarina, a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) realiza o monitoramento sorológico de suínos asselvajados, com foco na peste suína clássica, a partir da coleta de sangue feita por controladores autorizados.
O procedimento envolve a coleta padronizada de amostras de sangue dos animais abatidos. Isso contribui para o acompanhamento sanitário e para a proteção da produção suinícola catarinense.
Parques estaduais no foco
A apresentação reuniu experiências de manejo nos Parques Estaduais Fritz Plaumann, Rio Canoas e das Araucárias. Também abordou a situação de invasão inicial no Parque Estadual da Serra Furada.
Os registros mostram diferentes estágios de invasão e controle, o que reforça a necessidade de estratégias adequadas às características de cada unidade de conservação.
A experiência também evidencia desafios: intensificar as ações, responder rapidamente a novas introduções da espécie e aprimorar os métodos para avaliar os resultados obtidos.
Com informações do Portal Visse.

